Sempre que tenho oportunidade de
dizer algo sobre minhas experiências com
leitura, digo que aprendi a ler, a decodificar, enfim, na escola. Gostar de
ler, no entanto, aprendi com meu pai. Na universidade li um poema em inglês em
que um marciano tenta explicar, daqui da Terra, por meio de um postal que envia
a um outro marciano, o que é um livro: um pássaro pousado na mão de um humano,
mais ou menos isso. Pois de minha infância tenho a nítida lembrança de meu pai
sentado quase na ponta da cadeira, com as pernas cruzadas, o cotovelo apoiado
no joelho, meio curvado sobre um livro aberto em sua mão.
Enquanto meu pai lia, à noite depois
de um exaustivo dia de trabalho, eu treinava em voz alta as leituras da
cartilha. Se eu lia errado ele, sem levantar os olhos de seu livro, me corrigia
com um tom meio áspero na voz. Assim, fui aprendendo a ler e a gostar de ler
com ele, junto com ele.
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