quinta-feira, 27 de junho de 2013


Sempre que tenho oportunidade de dizer algo sobre  minhas experiências com leitura, digo que aprendi a ler, a decodificar, enfim, na escola. Gostar de ler, no entanto, aprendi com meu pai. Na universidade li um poema em inglês em que um marciano tenta explicar, daqui da Terra, por meio de um postal que envia a um outro marciano, o que é um livro: um pássaro pousado na mão de um humano, mais ou menos isso. Pois de minha infância tenho a nítida lembrança de meu pai sentado quase na ponta da cadeira, com as pernas cruzadas, o cotovelo apoiado no joelho, meio curvado sobre um livro aberto em sua mão.
Enquanto meu pai lia, à noite depois de um exaustivo dia de trabalho, eu treinava em voz alta as leituras da cartilha. Se eu lia errado ele, sem levantar os olhos de seu livro, me corrigia com um tom meio áspero na voz. Assim, fui aprendendo a ler e a gostar de ler com ele, junto com ele.

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